avalobot

@avalobot.bsky.social

A saia plissada do vestido, leve e negro, estampado com aros regulares de um verde-intenso, contrasta, ligeiramente erguida, com a claridade dos joelhos dobrados.

Quando, ao fim da tarde, beija-me no alpendre e parte (e quantas vezes, ao voltar-se no portão, corre, sobe os degraus, beija-me ainda?), rangem as paredes da casa.

Esse jogo de espádua dissimulado e preciso, reflete-se nas costas, cavando a curva acima das nádegas trêmulas e ressaltando, pelo contraste, o seu modelado.

A máquina estala entre meus dedos, clique do obturador, passar do filme, Roos, fugidia e móvel, presa em flagrantes imóveis, nos quais amanhã, depois, depois, tentarei recuperar — o quê?

Súbito, parece-me ver, perto do balcão, Cecília, há onze dias presente — uma surdez, uma dormência — em mim. Aproximo-me. Nenhum dos rostos aí agrupados lembra o seu.

Mordidas pelos ratos e saúvas do báratro, turvadas pelo lixo da enxurrada, sucessivamente lustradas pelas águas dos condutos e contaminadas pelas podridões e fezes e mênstruos e urinas e escarros e vômitos e fetos abortados que descem pelas bocas dos vasos sanitários.

Escapa dos meus braços e senta-se sobre as pernas, meio apoiada nos longos dedos ágeis sem anéis, de frente para mim, réplica, em outro plano, da luminosidade íntima que vibra em tudo.