Quem perceber isto consegue entender melhor a opinião pública que um especialista em marketing.
Blue
@derblue.bsky.social
Books & common sense 🏳️🌈 (Will write in EN 🇬🇧 and PT 🇵🇹)
Para quem está desenhado o sistema? Quem está a lucrar? Perguntas que muitas vezes se perdem nas lengalengas mediáticas que passam por ser “debate político”.
A multiplicação de movimentos e partidos de extrema direita parece uma espécie de PREC invertido. A única diferença é que esmagadoramente não são associações genuínas mas projectos com mecenas empresariais que os sustentam. É a vingança do establishment da reacção à escala mundial.
Primeiras boas notícias neste campo em anos. Dada a quantidade de políticos com família com negócios no turismo e imobiliário devemos estar a um passo de ter apoios extraordinários ao turismo. Até não haver vila neste país em que não se possa vender uma cave T0 por 500.000 euros.
A Europa convive muito mal com a sua memória histórica e a maioria da população está desejosa do dia em que lhe digam que não tem responsabilidade sobre nada e pode dar aso ao pior que tem dentro de si. O impulso de morte anseia por se libertar e expandir.
A AV. João XXI em Lisboa foi tomada de assalto por uma enorme fila de expositores publicitários da JCDecaux. Neste momento têm uma exposição de uma associação de moradores locais. Mas ficam as perguntas: estes expositores é para ficarem? Metade da AV vai ficar ocupada? Vão ter publicidade?
Todo este episódio vem mostrar aquilo que é evidente desde a crise de 2008, os estados membros da UE não podem contar com o apoio uns dos outros ou da organização. Qualquer situação séria cria sempre fracturas e os membros traem-se uns aos outros em nome de ganhos ou alianças externas.
As ficções que contamos uns aos outros, e as coisas que escolhemos ignorar, têm um custo. Nada disto será resolvido porque não há qualquer interesse no topo da pirâmide social nem qualquer pressão vinda debaixo.
Expropriados de Abril, de Filipe S. Fernandes e Hermínio Santos, é uma obra histórica que cobre o período imediatamente pós 25 deAbril no que diz respeito à propriedade do tecido económico do país. Ou seja, aborda a onda de nacionalizações, ocupações e conflitos laborais entre 1974-75.
Curiosidades do 25 de Abril: José Miguel Júdice afirmou que teve contactos com grupos empresariais portugueses: “o primeiro que tive foi logo após o 25 de Abril, mas não vou dizer os nomes. Os grupos empresariais deram apoio a todos os partidos políticos, do PS para a direita”.
Há algo de errado com isto. Que o próprio debate seja colocado fora da esfera da ética e da moralidade (o “certo e o errado”) diz algo sobre os tempos em que estamos.
Como é que ninguém reparou nisto?? Ninguém sequer abre a boca? Esgotaram a indignação com os exames do secundário?
Esta história está ao nível dos influencers que dizem que acordam às 3 da manhã para ir correr. O objectivo é o mesmo, deixar o público neurótico e obcecado com uma ideal disfuncional. Óbvio que “the powers that be” nos querem ocupados 24/7 pois deixamos de ter capacidade de resposta racional.
Está em curso uma campanha internacional para redefinir que movimentos políticos e sociais têm direito a existir na esfera pública. De forma previsível num processo dirigido pela extrema direita há aqui o risco de boa parte dos partidos de esquerda e movimentos sindicais serem dissolvidos e banidos.
Há dificuldade do eleitorado em entender que os partidos à direita atuam hoje de forma coordenada. Mas já em Maio de 1974, de acordo com o general Kaúlza de Arriaga, alguns dos maiores grupos económicos nacionais estavam disponíveis para a criação de vários partidos de direita coordenados entre si.
Se as pessoas não defenderem o que é o seu património comum o sistema vai devorar tudo em nome dos “privados”.
Ou seja, entre as prometidas baixas de impostos (que vão deixar áreas sub financiadas) e a entrega quase total da receita fiscal a privados vamos ter uma degradação enorme dos serviços públicos. O que vai abrir a porta a ainda mais “fornecedores de serviços privados” ou simples privatizações.
As organizações de esquerda e centro (partidos, sindicatos, ONGs, etc) estão desenhadas para atingir equilíbrios negociais. Não estão preparadas para lidar com opositores que não têm qualquer interesse em negociar seja o que for de boa fé e que seguem uma estratégia de guerra total.
Quantas pessoas sabem que em 14 de Julho de 1974 (menos de 3 meses após o 25 de Abril) os banqueiros portugueses se juntaram para pedir ao embaixador americano uma intervenção em Portugal? A primeira resposta das elites a uma ameaça aos seus interesses foi pedir ação externa e não negociar.
O futuro do país é regressar ao passado. Houve algumas décadas com um bocadinho mais de mobilidade social mas isso está a acabar. O mundo que as elites portuguesas desenharam é de um imobilismo total (não tivessem elas uma fixação com sistemas monárquicos).
Elric of Melniboné, by Michael Moorcock, is the first volume of the collected stories of the aforementioned Elric. It’s a fantasy classic for a good reason and definitely a milestone in the Sword & Sorcery genre. Envious court politics, strange gods and powerful artefacts make it a must read.
Custa compreender a constante surpresa com a falta de qualidade dos políticos portugueses. A estrutura social que os promove é a mesma desde sempre e as máquinas partidárias apenas agravam estes mecanismos viciados. Com um centro político tão fragilizado o poder económico sai reforçado.
Hoje, em honra a Sam Neill (1947-2026), vai ser noite de rever a maravilha Lovecraftiana que é “In the Mouth of Madness”. Do you read Sutter Cane?
Há uma moda de desvalorização das relações humanas sob a capa de uma suposta autonomia individual radical. E ninguém parece reparar que isto obedece a um imperativo produtivo. É mais difícil exigir dias de 12-14h a pessoas que valorizem parceiros, amigos, famílias ou comunidades.
Qual a lição da escassez de água? Segundo a UE a lição é que a água está barata, um direito fundamental está “barato”. A UE tende a defender quem faz lobbying de forma permanente e isso explica a atitude de capitalismo autoritário de “nunca desperdiçar uma crise” para promover interesses privados.
“Never believe anything in politics until it has been officially denied” - Otto Von Bismarck
O século XXI está a ser uma espécie de reedição do século XIX. Capitalismo selvagem com base na mais cruel extração de valor de recursos e pessoas, disparidade extrema de rendimentos e direitos, endeusamento dos ricos e poderosos, nacionalismos agressivos, a religião do cientismo e da tecnologia…